
Acordamos muito cedo hoje - até porque no lugar de cortina o quarto que pegamos tinha um véu - e partimos logo depois do café. Seguimos por duas horas no rípio chileno (que estava muito melhor do que eu esperava) e passamos pelas aduanas chilena e argentina em San Sebastian. De volta ao asfalto, gastamos pouco tempo pra chegarmos à cidade de Rio Grande, a primeira "grande" cidade argentina na Terra do Fogo. Como as placas aqui foram todas pichadas, nos perdemos e fomos passear pelo meio da cidade por uma hora, então podemos falar com autoridade: a cidade é muito, muito feia. Depois de sair da cidade achavamos que tinhamos feito besteira em vir pra Terra do Fogo, e que nossa maré de sorte em achar o lugar seguinte mais deslumbrante que o anterior tinha terminado.

Seguimos por mais alguns quilômetros sem nenhum atrativo, até que chegamos à Tolhuin. A partir deste ponto a paisagem mudou radicalmente: passamos a ver o final da cordilheira dos Andes ao fundo, e o deserto pouco-a-pouco passou a dar lugar a árvores. A partir daqui, a cada quilômetro nós paravamos pra tirar fotos. Em pouco tempo estavamos às margens do lago Fagano, que é cercado por montanhas e florestas e tem em suas margens praias de cascalho. Continuamos seguindo rumo à Ushuaia e fomos descobrindo novas paisagens: as montanhas cobertas de neve estavam cada vez mais próximas enquanto iamos passando por rios e lagos.
Logo a estrada começou a subir e fomos junto subindo as montanhas até as laterais da estrada estarem cercadas por neve. Eu sabia que era possível encontrarmos neve nessa época do ano, mas minhas esperanças de que isso acontecessem eram bem pequenas. Obviamente, tive que parar no acostamento pra ir conhecer a neve mais de perto! Minha primeira experiência foi logo enfiar a perna até a altura do joelho no primeiro passo que dei em um banco de neve bastante fofa. Passado o susto e conhecida a neve, voltei pro carro pra seguirmos viagem.

Finalmente - depois de mais de 7.000 km rodados desde o Rio de Janeiro - chegamos à Ushuaia. A cidade em sí me lembra um pouco Angra dos Reis: a cidade não é bonita, mas a paisagem ao redor é de se perder o fôlego. A cidade está às margens de uma baia cercada por montanhas nevadas. As águas do canal Beagle mais parecem um lago, pois não se vê ondas. O povo é educado e muito solícito.
Fomos direto procurar a secretaria de turismo pra obter informações dos passeios e buscar um mapa da cidade, e a mulher que nos atendeu nos deu absolutamente tudo que precisavamos e um pouco mais. De posse da lista - com preços - dos hoteis, fomos rodar a cidade pra descobrirmos onde iriamos ficar. No primeiro hotel que tentamos descobrimos que só havia quarto livre por duas noites, e nós precisavamos de três ou quatro. No seguinte, não havia quartos disponíveis, mas o sr. Frederico tentou nos arrumar um quarto em seu outro hotel, só pra descobrimos que era o hotel em que haviamos estado antes. Depois descobrimos que havia um quarto livre no segundo hotel a partir do dia seguinte, então decidimos ficar um noite no primeiro e as seguintes no outro e estava tudo certo. Depois de um longo de demorado banho pra nos livrarmos da sujeira acumulada do dia anterior, saímos pra jantar e descobrimos o Bodegón Fueguino, um simpático restaurante com um garçom (Javier) mais simpático ainda. Finalmente conseguimos comer o cordeiro e tomar o vinho patagônico que estavamos procurando desde Las Grutas, e não nos decepcionamos: a carne derretia na boca, e o vinho era muito bom.
As fotos de hoje estão
aqui.
3 comentários:
Olá meninos! Acho que mesmo com os pequenos contratempos que enfrentaram, tudo está valendo a pena, não é mesmo? Pelo menos as fotos dão essa idéia.
um grande beijo para vocês.
Só há uma coisa a dizer sobre essa viagem: escandalosamente encantadora!
Não tinha idéia de que essa região fosse tão bonita e com uma diversidade tão grande de paisagens.
Aproveitem!Com certeza será uma viagem inesquecível!
Beijocas
Acompanhando os relatos, e vendo as fotos, já não tenho assim tanta convicção de que vcs são malucos em fazer esta viagem... Hehehe
Grande abraço!
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