Depois de conhecermos o Lago del Desierto em El Chaltén começamos nossa viagem de volta. Como já saímos tarde do albergue e gastamos mais de duas horas para ir e voltar do lago, sabiamos que nosso dia seria curto pra cobrir uma distância muito grande. Nosso objetivo principal era não pegarmos o trecho da saída para Puerto Deseado até Comodoro Rivadavia à noite por causa dos buracos, então decidimos viajar e decidir onde parar mais para o final da tarde. Na ida tinhamos visto algumas cidadezinhas que pareciam interessantes, então decidimos ficar em Puerto San Julian, uma cidade à beira do mar que é uma boa opção para ver a fauna marítima se você não puder ir à Ria Deseado. Como já tinhamos feito o passeio na Ria, decidimos só conhecer a cidade.
No dia seguinte já saimos de Puerto San Julian debaixo de chuva, que nos acompanhou até Caleta Olivia. No meio do caminho tomamos um susto ao cruzar com um caminhão, quando algo preto decolou e acertou nosso para-brisas. Achei que pudesse ter sido um pedaço de pneu, mas quando paramos em Comodoro Rivadavia descobri o que era. Entre o vento forte, chuva, alta velocidade e dos caminhões que cruzavam conosco, a grade da frente do carro - que já havia quebrado no rípio e estava presa com contact - decolou e se perdeu no meio da paisagem patagônica. Acho que ela compartilhava o mesmo desejo nosso de não querer voltar! =)
Em Comodoro Rivadavia tentei fazer a troca de óleo do carro (que já se aproximava dos 10.000 rodados desde Porto Alegre), e meu carro virou a sensação do posto. O Polo simplesmente não existe na Argentina (só o modelo antigo - Classic), e quando abri o capô para retirar os restos da grade - o que ainda estava preso com contact - juntaram vários curiosos para espiar o motor. Acho que se eu tivesse uma BMW não tinha atraido tanta gente! Como o serviço estava muito demorado e ainda queriam me cobrar um absurdo pelos filtros, decidi seguir viagem. Seguimos até Las Grutas neste dia e repetimos o programa da ida: mesmo hotel e restaurante, só mudando a uva do vinho pedido!
Para o norte de Las Grutas nossa viagem voltou a passar por terrenos que ainda não conheciamos, pois como não iamos voltar por Buenos Aires, seguimos direto pelo menor caminho, com a vantagem de evitar a "rota da propina" dos policiais corruptos de Entrerrios e Corrientes. Como desde Las Grutas estavamos com a troca de óleo atrasada, tentei fazer isso na primeira cidade grande por que passamos, mas tudo que consegui foi perder uma hora buscando algum lugar aberto, pois nessa região o horário é muito estranho: as lojas abrem de manhã e no final da tarde. Como não estavamos afim de perder tempo parados esperando, seguimos viagem até Rio Cuarto. Lá finalmente encontrei um lubricentro aberto, mas como não conheciam meu Polo, ficaram em dúvida sobre se teriam ou não o filtro de óleo. Me recomendaram que procurasse uma consessionária da Volks pra fazer a troca, mas obviamente eles não iam poder fazer o serviço no mesmo dia. Decidi comprar o filtro por lá e procurar outro lugar pra fazer a troca. Paramos num YPF para "almoçar" e consegui finalmente trocar o óleo, mas no total perdemos mais de duas horas no processo, o que nos impediu de seguir viagem até Paraná, primeira cidade de Entrerrios.
Paramos em San Francisco para dormir, e na manhã seguinte fomos ao supermercado local para tentar resolver nossas duas últimas pendências: vinhos e alfajores. Comprar os vinhos só foi complicado pra decidir entre tantas opções, e acabei resolvendo arriscar levar mais do que as 12 garrafas permitidas pela receita federal (6 por pessoa). Embalamos as garrafas usando o estoque de papel-higiênico que sobrou do nosso acampamento e contact (mil e uma utilidades). Os alfajores, por outro lado, provaram ser uma dificuldade. Em nossa volta, não encontramos nenhuma loja da Havanna ou lugar que vendesse seus alfajores.
Seguimos viagem até Parana, onde mais uma vez tentamos achar os alfajores. Comemos num McDonalds e descobrimos que lá as lojas também seguem o horário cortado, e quase não conseguimos comer, pois o McDonalds de lá só funciona até as 14:30. Depois de mais uma hora perdida, seguimos viagem por Entrerrios com a tensão nas alturas. Escondemos quase todo o dinheiro que tinhamos na bota da Jú para evitar possíveis achaques. Em Entrerrios fomos parados por uma blitz na estrada e já estava preparado pro pior, mas o policial só pediu a carteira de motorista e o seguro carta verde e nos liberou depois de ver que estava tudo em ordem. Poucas horas depois estavamos em Corrientes, onde encontramos um policial solitário em uma encruzilhada de estradas. Passamos devagar, mas quando viu que a placa era brasileira nos mandou parar. Perguntou de onde viemos e pra onde iamos, jogou uma conversa mole fora e depois nos pediu uma "ajuda" para a gasolina. Disse a ele que não tinha quase nada - e ele respondeu dizendo que aceitava reais - e mostrei a carteira com 16 pesos. Ele aceitou 6 e nos deixou seguir viagem.
Quase chegando em Passo de Los Libres, cidade na fronteira com o Brasil, tomamos o único susto da viagem: um ***** (coloque seu adjetivo preferido aqui) de um motorista resolveu desconsiderar nosso carro e ultrapassar três caminhões de uma só vez, e se eu não tivesse freado muito forte teriamos batido de frente, pois os acostamentos na Argentina não são asfaltados, e sair da estrada em alta velocidade não é uma opção. Sem nenhuma surpresa ví que a placa do distinto motorista era branca escrita em preto, com três letras e quatro números: carro brasileiro! Por isso que continuo dizendo: o pior do Brasil é o brasileiro! Chegando a Passo de Los Libres fomos tentar achar os Havannas pela última vez, mas sem sucesso. Entramos num mercado local pra ver as opções que tinhamos, mas os outros alfajores não são nem de longe tão bons... Como trocar os pesos que sobraram em uma casa de câmbio ia me dar um prejuizo grande, decidi arriscar mais um pouco e comprei algumas cervejas e mais duas garrafas de vinho. Pra nossa sorte, passamos direto pela aduana brasileira!
Chegamos em Uruguaiana às 20:30, finalmente em solo brasileiro, mas ainda estava cedo. Como a estrada estava muito boa, fomos seguindo viagem. Às 3:30, 630 km depois, estavamos em Porto Alegre, onde vamos ficar o final de semana. Segunda-feira iniciamos a perna final da viagem, indo em direção ao Rio. Já foram quase 14.000 km percorridos nestes 28 dias de viagem e ainda temos pouco mais de 1.500 km pela frente, mas não sabemos dizer se estamos cansados de viajar ou se queriamos mais. O que podemos dizer foi que adoramos a experiência, e repetiriamos a dose sem pensar duas vezes. Agora é só começar a planejar a "segunda parte" desta viagem, que vai nos levar à Bariloche, Santiago, Viña del Mar, Deserto do Atacama, Mendoza, Cordoba e Foz do Iguaçú, mas isso fica pra daqui alguns anos...
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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3 comentários:
Meninos, só nos resta agradecer a viagem que, através das fotos, vocês nos proporcionaram!
Estamos esperando, ansiosos e saudosos!
Beijos
Ana Maria
Queridos,
Fico muito feliz, primeiro de vocês terem gostado tanto e terem aproveitado tudo da melhor maneira (tirando os imprevistos) e segundo por ter nos proporcionado excelentes momentos com as ótimas histórias e fotos que vocês, diariamente, postavam. Graças a Deus tudo correu como planejado e SEJAM BEM VINDOS AO BRASIL!!!
Estamos com saudades!!!
Muitos beijos
Estamos aguardando o retorno ansiosos! Adorei acompanhar os capítulos da viagem =) Que bom que "tudo" correu bem e que vocês fizeram uma viagem inesquecível!! Cuidado na volta e SEJAM BEM VINDOS!!!
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