
Post a quatro mãos!
Resolvemos encurtar a estada em Madryn pois realmente não tive coragem de ir mergulhar e encarar o vento em uma roupa molhada, ainda que seja uma roupa de neoprene. Em nosso último dia em Madryn caimos no erro de querer dormir um pouco mais antes de pegar a estrada, e já saímos do albergue às 10h. O Gustavo - dono/gerente do albergue - nos avisou que os primeiros quilômetros que pegariamos da Ruta 3 estavam sendo duplicados, e nos recomendou irmos devagar devido à grande quantidade de pó levantado na obra, além de nos sugerir um passeio por Gaiman, uma pequena cidade que foi colonizada por galeses, e até hoje mantém as tradições e estilo deste povo.

Logo descobrimos que o aviso sobre a estrada foi totalmente desnecessário, pois viamos a núvem de pó quilômetros a nossa frente, e imagino que andar dentro dela era o mesmo que andar no meio de uma tempestade de areia. Passado este trecho a estrada voltou ao seu normal e logo chegamos ao entroncamento para Gaiman. Indo direto ao escritório de turismo da cidade, descolamos um mapa e as informações sobre os principais pontos turísticos a se ver: um antigo túnel ferroviario - desativado, para se atravessar a pé e com lanterna -, a primeira casa da cidade, o antigo correio, o primeiro colégio, as capelas, as casas de chá, a praça central e os mirantes de onde se pode ver toda a cidade pelo alto. Deixamos o carro por lá e fomos direto pelo túnel, de lanterna na cabeça e sem enxergar mais do que três metros a nossa frente, passando pelas demais atrações uma após a outra.
Gaiman fica no vale do rio Chubut, e nesse ponto a paisagem da Patagônia muda radicalmente, com muitas árvores de um verde muito bonito. O árido deserto patagônico dá lugar a montanhas recobertas
por pinheiros em uma mudança drástica, mas certamente para melhor!
A arquitetura da cidade e muito simpatica e com muitas casas em ótimo estado; a grande maioria revestida por pedras no exterior, o que dá a cidade um charme exclusivo e um clima bastante galês. Gastamos cerca de uma hora e meia para conhecer a cidade, e achamos melhor não irmos almoçar em uma das várias casas de chá da cidade
- para a tristeza da Ju que insistiu que conhecessemos a cidade a fim de buscar um cafe da manha - por medo de não chegarmos a nosso destino a tempo. Voltamos à Ruta 3 por volta da uma da tarde, e seguimos por mais meia hora até a saída para Punta Tombo.

Punta Tombo é uma colônia de pinguins de magalhães que no auge do verão tem uma população de meio milhão. Fora desta época este número cai significativamente, mas ainda assim existem muitos pinguins por lá. O preço, como todos os parques nacionais argentinos até agora, é extremamente salgado para estrangeiros - AR$ 35/pessoa - mas acreditamos que valeu a pena ter pago isso tudo. Logo no início viamos pinguins a menos de dois metros de distância de nós. Um pouco mais a frente, um pinguim deitava preguiçosamente na passarela de madeira aproveitando o sol, e pudemos tirar algumas fotos junto com ele, que nem se importava com nossa presença. Pensavamos que seria tudo, mas na verdade a parte de Punta Tombo aberta ao público se extende por mais de um quilômetro. Neste caminho, é possível ver centenas de ninhos de pinguins com e sem seus ocupantes. Essas aves desengonçadas não se importam com a presença dos humanos, e não raro encontramos algumas rebolando enquanto cruzavam nosso caminho.
Tínhamos a impressão de que eles estavam muito felizes com a nossa visita! Mais a frente pudemos chegar no topo de um rochedo que oferece a vista para a praia abaixo onde os pinguins nadam e saem da água, totalmente alheios ao frio que todos ao redor sentiam. Gastamos mais de uma hora nos divertindo com os pinguins, e saimos de Punta Tombo por volta das quatro e meia da tarde. Foi nesse ponto que vimos erramos ao não acordarmos mais cedo...

Ainda faltavam cerca de setecentos quilômetros até Puerto Deseado, e cerca de vinte deles no rípio. Em uma estimativa agressiva, se fizessemos média de 100km/h, chegariamos em nosso destino depois das onze da noite, sem saber aonde ficar e se haveriam hoteis abertos a esta hora. Decidimos apertar o passo e deixar pra decidir o que fariamos a medida em que a noite se aproximasse. Nossas opções pelo caminho eram poucas: Comodoro Rivadavia e Caleta Olivia. Rivadavia estava a cerca de 350 km de distância, e Caleta Olivia cerca de 100km depois. No início de nosso trajeto o vento resolveu colaborar e parou de jogar o carro de um lado pro outro, nos permitindo cubrir a distância até Rivadavia em menos de três horas. Nesse ponto, erramos novamente: ao invés de aproveitarmos o restante de luz do dia dirigindo, paramos para comer por uma meia-hora. O resultado é que saimos do posto de gasolina no meio da hora do rush local e só voltamos para a estrada - sinuosa e com trânsito pesado - já no início da noite. Passamos por Caleta Olivia e decidimos seguir em frente, só pra descobrir que o único trecho de estrada ruim que pegamos até agora fica entre este cidade e a saída para Puerto Deseado, e tinhamos que pegá-lo justo durante a noite. Pra fechar o dia com chave de ouro, chegando em Puerto Deseado passamos por um posto de polícia e, olhando para o policial que estava na estrada, não ví a placa de PARE no outro lado e passei direto, acendando para ele. Só depois de alguns metros ele fez sinal para que parasse (que ví pelo retrovisor por sorte), mas aí já era tarde. Completamente exausto, até agora não sei se fui multado ou não... Acho que só vou descobrir - se descobrir - quando for cruzar a fronteira...
Mesmo com as dificuldades que tivemos no final do dia, não nos arrependemos por ter parado em Gaiman e em Punta Tombo. Os dois certamente são paradas obrigatórias para quem passa por estas bandas. Colocamos as fotos
aqui para que todos possam avaliar!